Crise x Educação
A crise americana tem provocado um fenômeno interessante. Junto com o abalo ao Império, surge um forte sentimento que países até então tidos como subdesenvolvidos crônicos, passam a fazer parte do seleto grupo de nações capazes de dar as cartas e ditar as regras do jogo em um tabuleiro globalizado. Ora, tal processo de mundialização econômica é diretamente responsável pela emergência de países como Índia e Brasil.
Como resultado à crise no hemisfério norte e à emergência de países terceiro-mundistas rumo ao desenvolvimento, observa-se na prática um aumento na renda média de famílias até então pobres ou miseráveis. O aumento do poder de consumo nas classes menos favorecidas tem ajudado ao crescimento econômico brasileiro (ou seria o contrário?). Que o Brasil vem aproveitando os ventos favoráveis da diversificação econômica e da não dependência à America como único mercado consumidor é notório, e certamente inflige certa tranqüilidade ao setor produtivo, que continua a investir e acreditar que a crise deflagrada por hipotecas sub-prime não deve atingir em cheio a grande nau da economia brasileira.
Entretanto, o que deve ser questionado nesse momento é: existe desenvolvimento econômico desvinculado de investimento em educação e desenvolvimento pessoal das pessoas que formam uma nação? Ou mais especificamente: poderemos almejar uma posição melhor no teatro mundial sem antes nos preocuparmos com nossa imensa massa de iletrados, semi-alfabetizados e analfabetos? Ou o desenvolvimento econômico por si só curará as mazelas de nossa sociedade, tais como a insegurança e a falta de respeito generalizada, seja no trânsito, seja em filas ou faixas de pedestres? Será que a redução da miséria reduzirá com ela a violência e o tráfico de drogas? Todas são perguntas difíceis de serem respondidas, mas uma coisa é certa: nunca houve momento tão propicio para investir em educação. Afinal, esse é um investimento que pode render doces frutos no futuro a uma nação que pleiteia reconhecimento em um mundo cada vez mais globalizado.
Manchete da revista Veja no início do mês (2 de abril de 2008) alardeava “20 milhões de brasileiros saíram da pobreza e emergiram para a classe C”. Ótimo! Diminuiu a pobreza, aumentou a renda de famílias menos abastadas, alargou-se o poder de consumo de segmentos menos favorecidos da população. Mas tal fenômeno desvinculado de um forte investimento em educação não será suficiente para acabar com um dos maiores dilemas de nossa nação: a má distribuição de rendas. Milhares de brasileiros começam a depender menos do estado (bolsa-família, por exemplo) para sua subsistência, aumenta o consumo de bens duráveis, mais famílias obtêm crédito, aumenta o número de empregados formalizados, mais e mais residências adquirem computadores e se conectam a internet. Maravilhoso! Mas me questiono é possível sonhar como um país melhor, menos corrupto, menos subdesenvolvido sem que seja agregada a todas estas melhorias a educação? Creio que não. Conseqüentemente, vejo um momento muito favorável ao investimento em educação, seja ela básica ou técnica. Seja ela fruto do investimento estatal ou privado, pois sem ela estaremos criando falsas expectativas ou, quem sabe, postergando nossa caminhada rumo ao “desenvolvimento”.
Tags: E-learning, EAD, EAD empresarial, Pedagogia Empresarial, plataformas EAD, Recursos humanos



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